- Tomb Raider VII Legend -

Análise – Tomb Raider 7: Legend


O Retorno à Boa Forma

Por Hugo Salustiano - World Croft

Como reviver um clássico desgastado e fuzilado pela mídia? Pior ainda: como tirar um clássico do fundo do poço e colocá-lo no topo das listas, fazendo-o ir do lixo ao luxo e fazer a crítica engolir cada singela palavrinha que cismava em enterrar de vez esse clássico? A resposta não eram seios com milhares de polígonos, nem RPGs ou outras "descaracterizações" - a resposta estava na cara o tempo todo. A solução sempre existiu; ela é o próprio Tomb Raider.

Mas o que é Tomb Raider? O Tomb Raider é uma experiência única, capaz de te marcar. É emoção, inovação e tradição (sim inovação e tradição podem agir juntas). É algo envolvente e alucinante. Resumindo, é uma aventura digna da eterna heroína Lara Croft. O “Tomb Raider” voltou à ativa na forma de Tomb Raider Legend.

A Cura

Desde depois da segunda aventura da musa Lara Croft, Tomb Raider 2: The Dagger Of Xian, a Core Design só lançou verdadeiras “desventuras” de Lara Croft. Não que os games tenham sido ruins, mas também não eram bons o bastante. Não tanto quanto era esperado, pelo menos. A gota que fez o copo transbordar foi o game Tomb Raider The Angel Of Darkness, que trazia um Tomb Raider descaracterizado, com inovações malucas e pouco convenientes, além de uma Lara travada e lenta. É claro que depois disso, nada mais justo do que a Eidos, dona da marca Tomb Raider, mandar a Core pro olho da rua. A partir daí entra em cena um novo estúdio de produção: a Crystal Dynamics. Essa decisão não poderia ter sido melhor.

A Lenda Retorna...

Em 2006, o esperadíssimo, porém, não há como negar, um pouco desacreditado Tomb Raider Legend é lançado. Resultado final? Excelente. É impossível não se impressionar com as curvas mais bem feitas da musa Croft, com a nova iluminação e com os cut-scenes dignos de filmes hollywoodianos. O game começa com um flashback: um acidente de avião que acontece com Lara e sua mãe no Nepal, quando ela ainda é criança. Após o acidente, é mostrada um cut-scene no presente, no qual Lara conversa com Zip enquanto escala montanhas na Bolívia. É impossível não perceber que a Crystal Dynamics quis mudar totalmente o aspecto do jogo. Ou melhor, resgatar. Legend é um novo começo para Tomb Raider. Isso é o mais impressionante em Legend. Além de ser um ótimo game, Legend conseguiu tirar um game desacreditado do fundo do poço, e levá-lo de volta ao topo. Mas vamos falar do game. Uma das coisas que eu fiquei mais apreensivo para testar, quando se passaram as cut-scenes, foi a jogabilidade. Fiquei alguns segundos olhando para a tela antes de dar o primeiro passo, com medo. Dei o primeiro passo e, sinceramente, me surpreendi. Mas fiquei assustado. Isso porque depois de jogar com uma Lara tão travada em Tomb Raider Angel Of Darkness, controlar essa Lara tão flexível realmente assusta. Pensei até que ela estava fora de controle mas, quando me re-acostumei com esse jogabilidade perfeita, fiquei extremamente feliz em testar todos os movimentos de Lara. As novas seqüências cambalhotas, o salto “à la Daiane Dos Santos” e o salto olímpico. Mas uma das coisas mais prazerosas foi sacar as pistolas duplas. Acho que todos os fãs sentiram saudades. Eu fiquei um bom tempo atirando contra o nada, só para matar a saudade. Mas houveram duas coisas que me desapontaram um pouco. Primeiro: Lara não atira agachada, falta de pensamento estratégico pela parte dos produtores, na minha opinião. Outra que o “sprint”, a corrida que Lara dava, não está de volta. Não neste game. Fora isso, o game foi excelente. O gancho eletromagnético foi uma inovação bem útil, bem pensada e bem utilizada. Já os binóculos com RAD Mode não foram tão usados, mas também são úteis em certas partes do jogo. Outra novidade que fez com que a experiência fosse ainda melhor foi a forma dinâmica como a história era contada. Essa dinâmica teve muita assistência de Zip e Alister, os companheiros de Lara que sempre estão em contato com ela. É claro que às vezes eles exageram nas conversas e, nessas situações, não se preocupe, pois Lara logo os manda calar a boca. As conversas constantes e os cut-scenes comentados passam a impressão que você também está participando de toda a ação, como num filme interativo, e também de que Lara sabe exatamente onde está e o que está fazendo. Não há mais aquela impressão de que ela está perdida, no meio do nada, sem saber de onde veio e para onde vai. É tudo muito bem prouzido. Mas a melhor inovação, na verdade, nem foi uma inovação. Foi a volta de Tomb Raider. Não um Tomb Raider lançado só para faturar milhões. A volta de um Tomb Raider comparável com os dois primeiros e, arrisco-me a dizer, melhor do que os primeiros em certos aspectos. Tomb Raider Legend traz tudo que um Tomb Raider precisa ter: exploração, tumbas, história e inovações, além de boas doses de ação. Tomb Raider Legend sim, é um digno Tomb Raider.

E a exploração começou...

Após desfrutar de todas as inovações, como gráficos, ferramentas, etc., as atenções voltam-se ao game. O game, mesmo no nível “Hard – Tomb Raider”, peca na dificuldade. Não porque é difícil, mas sim porque é fácil. Não tão fácil assim, mas se tratando de Tomb Raider, relativamente fácil. Porém, se o jogador quiser pegar todos os secrets e terminar todos os time-trials, o game pode demorar mais dos que as 15 horas que eu demorei a terminá-lo. Para conseguir todos os secrets e todos os time-trials, demorei quase 30 horas para completar o game. Outra coisa legal do game são os extras, códigos, roupas e os vídeos especiais. Além do mais, esse game vem com a biografia de todos os personagens vistos no game, inclusive do Unknow Entity, o “monstro vilão” do game. Os puzzles estão de volta e logo o primeiro, o enigma com as caixas, causa uma ótima impressão, pois usa e abusa da física do game e, inclusive, isso é mais evidente quando você vai pegar o artefato de ouro nessa área, o que exige atenção e habilidade. Os mestres não são muito difíceis também, mas também exigem atenção ao cenário que têm toda uma mecânica, além de pulos bem calculados nas horas certas, exceto o último, onde a estratégia é apenas atacar e se esconder. Outra novidade muito legal são as fases de moto, que fazem que o game fique ainda mais variado. As inúmeras escaladas do game, infelizmente, são termináveis. Infelizmente porque é uma das grandes atrações do game e, como todo Tomb Raider, é incrível observar o cenário e descobrir o caminho por onde ir. Ainda bem que a inovação maluca de Angel Of Darkness, na qual Lara perde suas forças após a barra de energia terminar, foi retirada, o que resultou em escaladas bem maiores. Falando em coisas maiores, também é incrível a grandiosidade dos cenários bem trabalhados. Na minha opinião, eles se superam com as cachoeiras em Gana. Dá vontade até de tirar um “print screen” do game e deixar como papel de parede. O game tem mesmo cenários muito variados, indo de lugares tropicais aos mais gelados, tumbas à arranhacéus... É uma experiência incrível que só Tomb Raider é capaz de proporcionar.

A mansão Croft está de volta, totalmente remodelada. A academia de Lara também está de volta, e é perfeita para se habituar às novas escaladas do game, e é crucial para iniciantes no game.

O final da história é incrível e dá gosto de ver a última cut-scene. Porém, a história fica em aberto, e isso deixa um inevitável gostinho de quero mais, mas não prejudica o game. O “gancho” deixado para o próximo game é muito bom, e se os roteiristas souberem aproveitar, dará uma ótima história. O Tomb Raider passado, The Angel Of Darkness, no fim, serviu para alguma coisa: amadureceu tanto os produtores quanto os jogadores e mostrou que não é só porque um jogo é estrelado por Lara Croft que ele será bom. De fato, o game Tomb Raider é bom por ser Tomb Raider, e Lara Croft está inclusa nesse pacote. Os produtores aprenderam a lição e daqui para frente, podem apostar, eles vão ficar cada vez melhor. Mas o que realmente importa é que o Tomb Raider pelo qual nos apaixonamos está de volta à vida e melhor do que nunca, não importando se Lara Croft está com os seios maiores ou menores. Então, boa diversão!


Veredicto

Pontos Fortes: Um Tomb Raider de verdade, isso já explica tudo.

Pontos Fracos: Jogo relativamente fácil e curto; sistema de batalha fraco e sem estratégia.

Visual: 9

Diversão: 10

Jogabilidade: 10

Som: 9

Desafio: 7

Nota Final: 9

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