Análise – Tomb Raider 6: The Angel of Darkness
O Fim do Reinado Croft
Por Hugo Salustiano - World Croft
Uma hora ia acontecer. Com certeza ia. Aos trancos e barrancos, a musa Lara Croft, muito mais turbinada, retorna com o desastroso, esdrúxulo e excêntrico Tomb Raider: The Angel Of Darkness, que traz tantos bugs, que dá vontade de estilhaçar seu console ou seu computador com uma marreta bem pesada. E os bugs não são só a pior parte do game. Ainda há os controles travados, que fazem parecer que você controla uma boneca de cimento endurecido; as inovações malucas; os controles travados, que dão nos nervos; a lerdeza dos movimentos de Lara Croft; os controles travados, que fazem o game ficar maçante; visual um tanto mal caprichado em algumas partes; os controles travados, que fazem parecer que seu controle ou seu teclado está com problema; slowdowns e muito mais, como os controles travados. Todas as coisas imprescindíveis para que o game seja bom não estão presentes e, por isso, isso faz com que este seja o pior Tomb Raider já lançado.
O Game fede mesmo?
Sim. O game fede. Mas não é que o game tenha sido tão ruim assim. Na verdade, ele foi RELATIVAMENTE ruim para ser um TOMB RAIDER (pois como dizia o mestre Einstein, “Tudo é relativo”). É claro. Não se pode negar os defeitos do game, como os controles e a lentidão da personagem, mas, passando-se isso, o game tem um enredo muito bom e os palcos da ação, como o Louvre, ou Praga são muito bons. Porém, aconteceu o que os produtores não poderiam deixar acontecer: os defeitos superaram os pontos bons. Pior: os defeitos graves superaram os pontos bons essenciais. Fora isso o game é muito criativo e variado, e pode-se considerar até um game bom. Mas para tanto, você tem que ser um gamer muito, mas muito hardcore. Uma coisa no game que não pode-se dizer que fede é a trilha sonora, composta pela Orquestra Sinfônica de Londres. Quanto disperdício.
Inovador, mas não no bom sentido
Inovações. Sim, todas as séries de sucesso, para não cansarem, precisam de inovação. E vejam bem, “inovação” e “descaracterização” são palavras bem distintas. Várias boas idéias, que foram boas só na teoria, mas não apropriadas para Tomb Raider, foram o que mais apareceram nesse jogo. Por isso, as inovações acabaram tornando-se descaracterizações. Para começar, a marca registrada da Lady Croft, as pistolas duplas infinitas, só estão na capa do game. Isso mesmo: nesse game você não usa as pistolas duplas infinitas. Você tem que suar atrás de munição. E eu ainda nem comecei, pois há coisas piores que isso no game. Por exemplo: nas agonizantes ruas de Paris você tem que conversar com várias pessoas para conseguir conquistar objetivos. Talvez isso fosse uma boa idéia para fazer o game ficar interativo? Sim, desde que você ame “Final Fantasy” e conversas intermináveis. Ainda há outros elementos RPG, como o aumento de Level da força e velocidade de Lara. Isso tudo descaracteriza o game. Tomb Raider não é um RPG. Tomb Raider é um game de ação e aventura. Mas acho que a Core não se importou muito com isso. Essa inovação, a das conversas, dói a mais descaracterizante, simplesmente porque Lara Croft é uma mulher (e que mulher) de poucas palavras. Ela é bem ao modo espartano: curto e grosso. Além do mais, esse sistema deixa o game tedioso. Outra inovação horrível foi a invenção infeliz de dar “força” à Lara para ela escalar lugares. Quando a força acaba, ela despenca. Acho que essa idéia não foi boa nem no papel porque, apesar de dar maior realismo, num game como Tomb Raider, onde um dos pontos mais altos é as escaladas, isso acaba se transformando num verdadeiro PESADELO! Isso resulta em um game com poucas escaladas e, portanto, um game que com certeza não é Tomb Raider. E o modo sigilo, onde você se encosta na parede?? Meu Deus! Eu juro que tentei usar, mas nunca vi algo tão inútil quanto isso num game onde a inteligência artificial é tão ágil quanto uma preguiça subindo uma árvore no frio ao fim da tarde! Esse game é realmente incrível, pois mostra a total incompetência e desleixo da equipe da Core Design e faz você se perguntar: “Essa é a mesma produtora que lançou os primeiros Tomb Raiders?”. De “Tomb” esse game tem uma fase (uma, porque a Tomb Of Ancients é mais uma transição), e de “Raider” não tem nada, já que não existem mais os “secrets”, porque o cenário é tão limitado que poderia ser de um jogo 2D do Super Nintendo (tá legal, exagerei um pouco, mas nem tanto). Mas talvez a pior idéia tenha sido tentar “substituir”, isso mesmo, “substituir” (entre aspas, pois a tentativa é ridícula) Lara Croft, nossa heroína decadente por um cara chamado Kurtis Trent (que se aproveitou da nossa musa no Louvre, passando a mão em suas curvas! Como isso? E a pobre e indefesa Lara não pôde fazer nada! Filho da p***!!!!!), um personagem que tem um bumerangue mágico (mas é redondo e tem umas lâminas... sei lá o que é isso) e consegue ser mais descontrolado e inflexível que Lara Croft nesse game. Isso mesmo, eu sei disso porque nesse game você tem que ter a infelicidade de controlar esse sujeito. Aliás, a arma principal dele, o tal bumerangue mágico, nem pode ser usada. Essas foram as horas mais horríveis que tive jogando Tomb Raider e, na verdade, essa foi a primeira vez que tive horas ruins jogando Tomb Raider. Apesar da história ser boa, é tal mal aproveitada, tão sem profundidade, tão sem emoção que você fica indeferente quando certas coisas que supostamente eram para ser emocionantes acontecem, como quando Von Croy morre, ou quando Lara retorna ao apartamento de Von Croy. A única vez que me emocionei foi quando o Kurtis Trent “supostamente” morre, que foi quando eu senti uma indescritível felicidade, depois reprimida, pois no vídeo final dá a entender que ele não está morto de verdade (que pena). O game nem te passa a impressão de que você está fugindo da polícia. E o mais engraçado é que Lara Croft mata outras pessoas inocentes, como os guardas do Louvre, para provar sua inocência. Ainda há os defeitos, que tiram mais ainda o prestígio do game, como quando Lara cai desacordada depois de sair do Louvre e, quando acorda está inexplicavelmente de óculos escuros! Em certas partes do game há slowdows, que fazem com que você jogue em câmera lenta. E não são só por frações de segundos. São realmente uns cinco ou mais segundos de câmera lenta. Esse realmente é um game muito bem feito.
Game ruim em péssima hora
O que prejudicou muito o game mesmo foi a própria mídia. Com certeza, foi devido à propaganda
Veredicto
Pontos Fortes: Lara está com os seios maiores; O Game é criativo e não deixa de ser inovador.
Pontos Fracos: Bugs; Controles; lentidão da personagem; lentidão para abrir o inventário (menu); inovações horríveis e algumas até inúteis; nada de pistolas duplas; história boa, mas sem profundidade; game descaracterizado; maçante em certas partes; Kurtis Trent.
Visual: 5
Diversão: 5
Jogabilidade: 0
Som: 10
Desafio: 10
Nota Final: 6

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